domingo, 29 de agosto de 2010

Uma vida em seis anos


Hoje, acordei pensando em meus últimos seis anos. Tantas coisas aconteceram, pessoas passaram por mim, como quem corre para pegar o metro lotado. Mas algumas pessoas ficam, e fazem uma diferença.
Acordei pensando em você, em nossa amizade, afinal são 6 anos, e talvez embriagada pelas sabias palavras de Tati Bernardi, decidi escrever algo pra você, e só pra você.
O melhor homem, o melhor amigo, melhor irmão, melhor tudo. Ao seu lado, é como se as coisas fluíssem naturalmente. Você me ajuda com assuntos masculinos, e eu apresento umas ideias femininas pra você se ver do lado oposto da moeda. Você me ajuda a andar no salto alto, e também a permanecer no salto sobre determinadas coisas, determinadas situações e contextos. E eu nunca descrevi esse meu sentimento por você. Nem uma linha ou um paragrafo qualquer.
São seis anos de sentimentos jogados foras. De chegar e falar na cara sobre determinado menino. e ouvir da própria mãe que os namoros dele não duram comigo ao lado. Estranho?talvez. mas extremamente sabias essas palavras.
Os gostos musicais, as baladas, as frases, os cheiros, os gostos, os amores, os amigos, o cachorro, a família. Tudo, você esta incluso. As vezes paramos somente pra falar besteiras. Duendes, casamento, cachorro e fada do dente. Treze minutos em meu torpor desesperado, com você no outro lado da linha paciente comigo, como um pai que ensina o filho a andar de bicicleta.
Todas as situações escabrosas, alegres, é você. A maçã do amor, o morango com chocolate, o churrasco a pizza no fim de semana. a companhia na balada, a praia e o sitio. O braço dado para não cair, limpar o pé de areia, o confessionario no domingo a noite sobre o fim de semana. o grupo de amigos e sempre o mesmo riso franco e choro contido.
E eu seria totalmente previsível se nunca tivesse escrito nada pra ti, até hoje, essa manhã ao acordar e pensar. Afinal, são seis anos e uma vida inteira pela frente.

"Eu acho engraçado quando ele fala “ah, enjoei, ela era meio sem assunto” e olha pra mim com saudade. Ele também ri quando eu digo “ah, ele não entendeu nada” e olho pra ele sabendo que ele também não entende, mas pelo menos não vai embora. Ou vai mas sempre volta. Não temos ciúmes e nem posse porque somos pra sempre. Ainda que ele case, more na Bósnia, são quase quinze anos. Somos pra sempre. " - Tati Bernardi

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sobre almas e dedos mindinhos

Eu tentei colocar todos os meus problemas, em suas costas. Tentar com isso fazer você ir embora da minha vida, mas não foi o que aconteceu. Parece absurdo de minha parte, fazer isso com um ser que todos achavam o par ideal para meus devaneios juvenis, mas eu fiz.
Por orgulho ferido?maybe.Por eu ver que uma pessoa não pode catar os pedaços de seu coração sozinha, e derramar as lágrimas eu um estúpido travesseiro nas noites frias de um Junho perdido no tempo? maybe. Mas também pela vontade de falar sobre determinada pessoa, sem ter que pagar pela hora gasta a base de risada e batatas fritas com coca-cola.
Invejo aquelas pessoas, firmadas em seus próprios conceitos, em suas vidas alegres de ter um corpo diferente em noites diferenciadas, mas se parar pra pensar, esses corpos são só corpos, e o coração regado a bebidas e orgias.Mas acho que não conseguiria fazer isso, com meu corpo e minha alma.
Minha alma, apesar de ter seus arranhões e roxeados, de batidas de dedo mindinho no pé da cama, está intacta. E eu tinha medo, quando você apareceu com um sorriso no rosto e um buque de flores do campo em suas mãos tremulas, e eu gostei do que vi, sorri e dei risada com seu jeito bobo de abrir a porta do carro para mim e insistir em pagar a conta do restaurante. Mas minha alma, deu o alerta vermelho, quando o convidei pra entrar, e tomar um chá.
Um chá? Só isso, eu pensei. Mas ao ser pega desprevenida no balcão da cozinha, recebendo um beijo doce e sem malicia, meu coração pulou em meu peito, se é que isso fosse possível.
E foi ai que eu vi, que se talvez eu jogasse meus problemas em suas costas, e gritasse com você, e até te esbofeteasse, você iria embora, e eu sentiria um alivio e minha alma se concertaria,afinal foi somente outra batida no pé da cama com meu mindinho.
Mas você não foi embora, e me disse em meio a bofetadas e mordidas , que nunca iria embora, e eu, acida disse que o nunca era muito tempo.
"Não importa", foi o que ele disse, beijando meu nariz e me puxando para o abraço.
Confessei que tinha inveja de pessoas com um acompanhante por noite, mas querido, depois de você, eu quero apenas um acompanhante em minha cama, e é você.


  • Música do dia :Negrito Take your love with me - Sophie Madeleine

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Primeira vez

"Você sempre me disse que sua maior mágoa, era eu nunca ter escrito um texto sobre você. Nem que fosse te xingando, te expondo. Qualquer coisa. Você sempre foi o único homem que me amou. E eu nunca te escrevi nem uma frase num papelzinho amassado. Você sempre foi o único amigo que entendeu essa minha vontade de abraçar o mundo quando chega a madrugada. E o único que sempre entendeu também, o porque de eu dormir chorando, porque era impossível abraçar sequer alguém, o que dirá o mundo. Outro dia eu encontrei um diário meu, de 99, e lá estava escrito “hoje eu larguei meu namorado sentado, e dancei com ele no baile de formatura”. Ele, no caso, é você. Dei risada e lembrei que em todos esses anos, mesmo eu nunca tendo escrito nenhum texto para você, por diversas vezes larguei vários namorados meus, sentados, e dancei com você. Porque você é meu melhor companheiro de dança, mesmo sendo tímido e desajeitado. Depois encontrei uma foto em que você está com um daqueles óculos escuros espelhados de maconheiro. E eu de calça colorida daquelas “bailarina”. E nessa época você não gostava de mim porque eu era a bobinha da classe. Mas eu gostava de você porque você tinha pintas e eu achava isso super sexy. E eu me achei ridícula na foto, mas senti uma coisa linda por dentro do peito. Aí lembrei que alguns anos depois, quando eu já não era mais a bobinha da classe e sim uma estagiária metida a esperta que só namorava figurões (uns babacas na verdade), você viu algum charme nisso e me roubou um beijo. Fingindo que ia desmaiar. Foi ridículo. Mas foi menos ridículo do que aquela vez, ainda na faculdade, que eu invadi seu carro e te agarrei a força. Você saiu cantando pneu e ficou quase dois anos sem falar comigo.
Eu não sei porque exatamente você não mereceu um texto meu, quando me deu meu primeiro cd do Vinícius de Morais. Ou quando me deu aquele com historinhas de crianças para eu dormir feliz. Ou mesmo quando, já de saco cheio de eu ficar com você e com mais metade da cidade, você me deu aquele cartão postal da Amazônia com um tigre enrabando uma onça.
Também não sei porque eu não escrevi um texto quando você apareceu naquela festa brega, me viu dançando no canto da mesa, e me disse a frase mais linda que eu já ouvi na minha vida “eu sei que você não gosta de mim, mas deixa eu te olhar mesmo assim”. Talvez eu devesse ter escrito um texto para você, quando eu te pedi a única coisa que não se pede a alguém que ama a gente “me faz companhia enquanto meu namorado está viajando?”. E você fez. E você me olhava de canto de olho, se perguntando porque raios isso acontecia com você. Talvez porque mesmo sabendo que eu não amava você, você continuava querendo apenas me olhar. E eu me nutria disso. Me aproveitava. Sugava seu amor para sobreviver um pouco em meio a falta de amor que eu recebia de todas as outras pessoas que diziam estar comigo. Depois você começou a namorar uma menina e deixou, finalmente, de gostar de mim. E eu podia ter escrito um texto para você. Claro que eu senti ciúmes e senti uma falta absurda de você. Mas ainda assim, eu deixei passar em branco. Nenhuma linha sequer sobre isso. Depois eu também podia ter escrito sobre aquele dia que você me xingou até desopilar todos os cantos do seu fígado. Eu fiquei numa tristeza sem fim. Depois pensei que a gente só odeia quem a gente ama. E fiquei feliz. Pode me xingar quanto você quiser desde que isso signifique que você ainda gosta um pouquinho de mim.
Minhas piadas, meu jeito de falar, até meu jeito de dançar ou de andar. Tudo é você. Minha personalidade é você. Quando eu berro Strokes no carro ou quando eu faço uma amiga feliz com alguma ironia barata. Tudo é você. Quando eu coloco um brinco pequeno ao invés de um grande. Ou quando eu fico em casa feliz com as minhas coisinhas. Tudo é você. Eu sou mais você do que fui qualquer homem que passou pela minha vida. E eu sempre amei infinitamente mais a sua companhia do que qualquer companhia do mundo, mesmo eu nunca tendo demonstrado isso. E, ainda assim, nunca, nunquinha, eu escrevi sequer uma palavra sobre você. Até hoje. Até essa manhã. Em que você, pela primeira vez, foi embora sem sentir nenhuma pena nisso. Foi a primeira vez, em todos esse anos, que você simplesmente foi embora. Como se eu fosse só mais uma coisa da sua vida, e que você é cheio dessas coisas. E que você usa para não sentir dor ou saudade. Foi a primeira vez que você me deixou te olhar, mesmo você não gostando de mim.
E foi por isso, porque você deixou de ser o menino que me amava e passou a ser só mais um que me usa, que você, assim como todos os outros, mereceu um texto meu."

Tati Bernardi

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Me.


Tenho manias incontroláveis. Mexo o pé freneticamente e mordo até tirar toda a pele de minha boca para depois reclamar que está ardendo. Mexo no cabelo e o corto para depois sentir falta de minhas pontas duplas.
Leio bula de remédio, mas fujo de injeções. A segunda-feira demora a passar, e o domingo passa muito rapido. Tenho roupas que uso em demasiado, e outras que há tempos não a luz do dia. Reclamo da distancia de minha sala a cozinha, mas andaria até o Ceara e Belo Horizonte se fosse necessário.
Faço a diferença entre amigos e conhecidos. Não olho fixamente para estranhos, mas sorrio para um bebe no colo de sua mãe.
Sou sensível, mas não choro na frente de garotos. Sou romântica, mas não mando mensagem e recados apaixonados, deixo isso para os livros. Não gosto de lasanha, somente a semi-pronta da perdigão e não trocaria os tacos de minha mãe por nada. Ouço musica com conteúdo, mas não dispenso uma balada eletronica de fim de semana.
Amo pouco, me apaixono muito. Sou sonhadora mas sei que tenho que manter os pés no chão.
Passo do riso para o choro em pouco tempo. Tenho amigas bipolares assim como eu. Sou frágil, manteiga derretida e choro em minha TPM, mas minhas lágrimas são somente para aqueles que eu amo. Odeio idiotas, mas adoro os imbecis. Tenho conteúdo, mas sou fútil quando devo ser.
Adoro mudanças, odeio despedidas. Escrevo pra mim, mas adoro elogios.
Amo anéis, mas odeio laços. Curto xadrez e odeio listras. Prefiro historias em quadrinhos do que revistas de fofocas. Prefiro filmes de meninos e desenhos do que novelas. Acho "friends" a melhor serie do mundo, mas não dispenso "The O.C" por nada.
Prefiro homem aranha e homem de ferro do que bonecos e barbies. Não trocaria minhas musicas por nada, mas gostaria que meu aparelho tivesse mais que 4 gb.
Não julgo, apenas ouço. Brigo, mas depois faço as pazes.
Sou desastrada, mas não mudaria meu jeito em nada. Sou orgulhosa, cabeça dura , mas sei quando estou errada.
Amo brigadeiro, odeio beijinho. Amo chocolate preto. odeio chocolate amargo.
Amo bandas que ninguém conhece, odeio bandas que são moda, estilo fast food.
Amo all star, mas viveria apenas de havaiana.
Utilizo letras de musicas e trecho de livros pra dar conselhos.
Odeio o jeito que meu país é governado, mas não trocaria ele por nada. Adoro cheiro de sais aromáticos e incenso, mas odeio o cheiro de certas pessoas. Amo abraços e odeio desrespeito.
Já tive fases. Já revoltei e tive cabelo cacheado. Tenho mania de ficar 1 hora no telefone com certas pessoas. (uma pessoa)
Tenho vontade estranhas, vivo no meu próprio mundo. Tenho uma amiga que é minha alma gemea, e um futuro marido. Sonho com filhos, mas não trocaria meu futuro por uma gravidez indesejada.
Amo fermentados, odeio destilados. Dei banhos de palavras e de agua em amigas descontroladas, e não deixaria por nada amigas sozinhas por causa de um cara x de uma balada.
Sou apaixonante, critica, louca, descontrolada, amada, amável, orgulhosa, inseduzivel,incompriensivel.Sou menina, criança, mulher,advogada, escritora, cabeça dura, viciada, amorosa, amiga, irmã. Um oscilante mudança em 24 horas.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Garotos e Garotas


Quando somos pequenos, as crianças são ensinadas a distinguir os brinquedos : meninas com bonecas e panelas e meninos com carrinhos e caminhões.
Quando crescemos, bom os brinquedos continuam e cada um decide com o que vai brincar, mas sempre com aquele pré conceito de que se a menina brincar de bonecos por muito tempo, é melhor levar no psiquiatra.
Devo admitir que as coisas de menino são beeeeeeeem mais legais que as coisas de menina. Afinal é bem mais legal ver "transformers" ou "iron-man", do que uma comédia romântica em que você vai sair do cinema com a cara inchada e a auto-estima no saco. Mas vai pedir pra sua mãe quando se tem 1o anos que ao invés de querer uma barbie Malibu, você quer o woody do "toy story"? Ela vai te olhar de canto de olho e te dar mesmo a barbie Malibu, pois a verdade é que até as mães com suas próprias filhas são machistas,ou vai dizer que em um almoço de domingo da sua tia gorda que tem 3 filhos pestes da sua idade, tua mãe vai pedir a sua ajuda pra arrumar a cozinha, e não a dos três sobrinhos, que com certeza enquanto você estiver fazendo isso , estarão destruindo o canteiro de flores ou puxando o rabo do seu gato.
Tudo isso é pra dizer, meninas são criadas pra serem meninas e agirem como Amélias, e os homens, bom, são criados pra serem machos, não chorarem e serem em sua maioria , cretinos.
  • Música do dia : Boys don't cry - Jay Vaquer

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Dúvidas




"Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido. " CFA

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

You and Me



"Eu preciso muito muito de você eu quero muito muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor você não precisa trazer nada só você mesmo você nem precisa dizer alguma coisa no telefone basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro.Mas eu preciso muito muito de você."

Caio Fernando Abreu