quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sobre sentimentos, cataratas e chá


Oi, lembra de mim?

Pois é, eu sou seu coração. Acabei de passar por uma cirurgia muito importante, mas estou de volta pra conversar com você. Eu sei, mas era uma cirurgia tão importante mas tão importante, e você precisava tanto disso, que resolvi me dar ao luxo de faze-la.
Faz tempo, não? Talvez 1, 2 anos. Não me lembro muito bem, mas de uma coisa eu lembro. Das suas perguntas a mim. Ora minha cara, eu apenas te digo palavras felizes, ao contrario do meu amigo cérebro. Ele sim é o sensato, eu apenas um bobo apaixonado. E de perguntas, eu não tenho nenhuma resposta.
Lembro de como você ficou ao ouvir a porta bater e um bilhete escrito com letras feias e sujas. Lembro que você ficou arrasada, ouvia musicas altas com letras melosas e seus pais se preocupavam com você. Te ligavam, e a mentira quente saia de seus lábios “ estou bem mamãe, não se preocupe” mas não estava. Eu havia me machucado, e machucado você. Malditos sentimentos canalizados em emoções. Devia ouvir mais o cérebro do que a mim, era o que eu ouvia. Segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado, domingo, segunda e assim por diante. O corte, o machucado em seu peito aumentou tanto que parecia crateras igual as cataratas do Iguaçu. Grande e cheio de lágrimas.
Você então decidiu mudar de vida, cortar o cabelo, pinta-lo, arrumar amigos legais e frequentar festas descoladas. Não deu muito certo. Resolveu então mudar pro Acre, fazer curso de fotografia e namorar todos os caras possíveis. Não deu muito certo.
E eu continuava aberto, sofrendo de hemorragia interna. E você continuava tentando fazer de tudo para esquece-lo. Resolveu voltar do Acre e morar novamente com seus pais, e continuar o curso de fotografia. Bom, deu um pouco certo, afinal quem hoje em dia mora no Acre?
Foi ai, um dia ai que você resolveu me levar para a cirurgia. Conheceu um cara mais velho, com idéias mais velhas e um carro mais velho. Te levou pra jantar, te tratou bem e te deu um anel com direito a um pedido e uma resposta. E eu, voltei com uma grande cicatriz, mas não maior do que o seu sorriso ao vê-lo ali, todinho pra você, sem bilhetes com letras sujas e feias. Apenas uma boa caligrafia, e um copo de chá no fim da tarde.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Viceras e borboletas


Sobe.Desce.Sobe.Desce. Era assim que eu me sentia. Numa grande montanha russa, esperando para despencar gradativamente, e fazer meu estomago sentir tudo. Colocar tudo pra fora, as entranhas que me consumiam como um viciado consome sua droga. Muito forte para você?Que pena, estou só começando.
Então a queda livre, os braços levantados, a câmera tirando a maldita foto de meu rosto, meus sentimentos, e lembrando daquele café da manhã. Eu sabia que não deveria ter engolido na pressa aqueles ovos, engolido meu coração novamente, porque na pressa do vamo naão vamo, você o destroçou e jogou para os cachorros, e eu o tive que pegar de novo. Pegar os pedaços dele e engoli-los novamente. Fingir que estava tudo bem, para poder sair na foto. Foto?É , na foto mais parecida com um raio x , em que tudo esta correto, ao contrario de meu estômago e meu coração. No estômago apenas borboletas mortas, e no peito?ah, um emaranhado de viceras, sangue e sentimentos.
O lápis borrado, o batom borrado, a roupa vestida ao contrario. O coração esmagado e a alma despencada, como uma montanha russa. Sobe. Desce. Sobe.Desce. Era assim que eu me sentia, e é assim que eu me sinto. Sobe. Desce. Sobe. Desce

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pipocas ácidas


Foi numa manhã que eu o vi, pela primeira vez, perdido entre pensamentos e com uma revista nas mãos. Ele estava tão perdido quanto eu, ele disse. Separação dos pais, cidade nova, bla bla bla. Os mesmos problemas, mas que saindo com notas aveludadas de sua boca pareciam uma coisa totalmente nova pra mim – mesmo eu estar sofrendo dos mesmos males.Ele me fez perguntas rápidas, e eu as respondi com rapidez. Nada de novo, nada de útil, apenas uma boa companhia para passar uma fria segunda-feira. Foi então que começou : amigos, baladas, bebidas, namoro, casamento (de outras pessoas, não nosso) e ele sempre com a mania de fazer perguntas inteligentes, rápidas e acidas. E eu?Bom, aprendi a responder na mesma moeda, afinal, não é todo dia que o humor ganha confiança e rispidez.
Ele disse que havia se apaixonado. Me lembro bem desse dia. Estávamos em seu sofá, assistindo tv e rindo de besterinhas a toa. Ele com um pacote de batatas em sua barriga e eu com um pote de pipoca. Apenas olhei pra ele e ele suspirou. Sem perguntas? É, sem perguntas. Porque eu me magoei ao descobrir que outra garota havia ganhado seu coração e eu não fui capaz disso. Mas eu era uma boa amiga (tenho minhas duvidas) e perguntei quem era a guria. E ele?Bom, me deu a ficha da garota. Ela é bonitinha, nova e alegre. Tem o cabelo enrolado, os olhos claros e um coração bom. E está do meu lado, comendo pipocas e rindo por dentro ao saber que é a escolhida. E eu quero que ela sempre esteja ao meu lado para comer pipoca e rir comigo, afinal, é a garota boba que eu gosto e me importo, independente do que ela faça comigo e se me magoar, porque ela é esperta o bastante para não me magoar, assim que eu serei esperto bastante para que eu não a magoe. E mudou de canal.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Com nuvens e sem virgulas


Eu acho que nunca parei pra pensar em como nós éramos. Uma deliciosa mistura de contrastes, temperos e chamegos. Algo como acordar sozinho e desfrutar de um delicioso café na cama com suco de laranja torradas e beijos doces de pasta de dente. Sim, tudo sem virgula, tudo intenso e nebuloso.

Nebuloso? Você implicava com minha mania de colocar a mão no bolso, de morder o lábio e de prestar atenção em todos a minha volta. Todos, menos você.

Dai você foi embora. E eu? Fiquei numa tristeza absurda de ter perdido você por causa de uma mania estúpida. A mania de querer ter tudo e não poder conseguir nada. A mania boba de rir de qualquer besteirinha a toa.

Ah, e de ouvir aquela musica tempo suficiente para decorar e cantar o fim de semana todo sem trégua ou etc. Etcetera, e não etc como você me disse uma vez. E o mundo nebuloso, voltou a ser cinza e feio, e mau cheiroso e sem vida e sem borboletas. Sim, tudo sem virgula, pra evitar qualquer reclamação posterior. Sem virgula e sem você. Ô vidinha, não?

sábado, 4 de setembro de 2010

Confissões entre lençois , agora completo


Havia tanto tempo que não conversávamos. O tempo, desgastante e traiçoeiro, nos arrebatou para uma rotina que não gostávamos, mas que não fazíamos força para que ela fosse mudada. Os segredos que antes não tínhamos, pareciam estampar nossos rostos. Mas nenhum de nós íamos dar o braço a torcer. Não contaríamos o que , expusemos um para o outro. Segredos que machucavam o coração e a alma, mas com um pequeno pedaço de seda, nós o cobríamos. E cedo ou tarde, ela iria amarelar, furar e se desgastar, e ao invés de colocarmos pra fora, cobríamos de volta. Como um vicio, que não quer ser demonstrado.

Mas no preparo do mesmo prato, o seu prato preferido, resolvi não mais esconder dele esses segredos envolvidos em pedaços de seda. Mas ao te ver chegando cansado, com o terno em um dos braços, e o guarda-chuva em outro, molhando o hall de entrada, resolvi deixar para o outro dia. Afinal, não importaria o quanto foi o preço da carne, ou que a diretora da escola reclamou do mau comportamento do filho caçula. As crianças pulam em seu colo, e eu parada na soleira limpando a mão em meu avental cuidadosamente amarrado em minha fina cintura. Ele me vê, sorri, e continua a brincar com as crianças. Logo, penso que segredos não precisariam ser revelados.


A mesa arrumada, os elogios de sempre, as vozes alegres dos filhos, algo estava errado, afinal, ao
olhar em seus olhos, não descobria mais nada. A idade nos envelheceu, os cabelos brancos nos deixaram mais sábios. Sera? Tinha minhas duvidas. As crianças estavam em suas camas, ele largado no sofá vendo o jornal, e eu na cozinha presa em pensamentos. Será que meus pais eram assim? Será que eu queria que meus filhos achassem isso de nós? Então as brigas, as reconciliações, eram só de gente jovem? Que com o passar do tempo, o amor era colocado em uma caixinha, deixando espaço para a acomodação e a frustação? Não , eu não queria isso. Então deixando uma lagrima correr, tirei o avental, sentando-me ao seu lado no sofá. Nem uma palavra amorosa, nem uma consideração inicial. E a final? Seria em seus braços , na cama de casal durante a madrugada?


Ele , com um cigarro na boca, e eu apenas virada para o lado fingindo dormir. Os segredos? Deixei pro outro dia.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Your face, baby


Eu ria. Da vida, e de você, idiota que me trocou pela namorada peituda e burra. A garota que só sabia falar sobre unhas e calorias. Ela não tinha o que você mais admirava em mim: conteúdo.
Pois é, e agora eu do risada, risada de você e de seu relacionamento sem assunto. Bem feito, otário.