sexta-feira, 29 de abril de 2011

“Você está certo em exibir ao mundo tantos dentes e tão brancos. Eu é que estou errada quando paro um pouquinho para olhar com tristeza esses sustos do amor. Não tem mais você tirando sarro quando eu não aguentava a dor no peito e te dizia no escuro que era mais ou menos amor mesmo. Porque era. Porque é. Se você soubesse o estado que estou agora, zumbi, pegando detalhes seus por aqui, e doendo tanto que nem sei mais por onde começar. Eu não aguento mais começar. Queria tanto continuar. Não sei, não aguento, ainda não posso, mas queria continuar.”

- Tati Bernardi.


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Ao seu jeito


Ela chegou e balançou todos no local. O jeito irreverente, estranho com suas enormes unhas pretas e o cabelo preto azulado assustaram os mais corretos. Ela apenas sentou ao fundo da classe, com os fones de ouvido e uma unica caneta e caderno. O professor a conhecia bem, e sabia que apesar daquele jeito de durona e emburrada era uma boa garota.
A garota que saia todas as noites, possuía o corpo com tatuagens e não dizia nada a ninguém. Que vivia uma vida de princesa, ou que os outros achavam que vivia, e era invejada pelas garotas e cobiçados pelos garotos, só pelo poder de ter o diferente. Ela não falava, apenas observava, e sabia de todos e tudo mas preferia guardar pra ela. As pessoas tinham medo e curiosidade, talvez? Ela não ligava pro que os outros pensavam, só o que ela pensava sobre isso ou aquilo. Seus pensamentos eram tão confusos como aquelas marcas em seus pulsos que o desenho não cobria. Ela tinha cicatrizes por todo o seu corpo, e internamente ela urrava. Urrava com aquela dor, de pessoas apontando e rindo, colando chiclete em seu material e colocando o pé na frente.
As pessoas não aceitam que você é diferente a elas, a menina entendia agora. Não era preciso mostrar a ninguém, nem esperar por ninguém. Ela estava bem consigo mesma, seu casulo havia sido desfeito, e ela havia se tornado uma bela mariposa. Mas toda mariposa( ela não aceitava ser borboleta) tem seus defeitos, mas mesmo assim , ela aprendeu a voar sem precisar de ninguém. E seu professor sabia disso, e ao olhar para aquela menina no fundo da classe, soube que ele havia acertado ao apoia-la em seus momentos mais obscuros.

"I'm beautiful in my way 'cause god makes no mistakes. I'm on the right track baby, I was born this way
Don't hide yourself in regret just love yourself and you're set.
I'm on the right track baby, I was born this way"



terça-feira, 26 de abril de 2011

The first

Oi..

Faz tempo que nós não conversamos, e eu tenho tanto para te falar. Sei lá, acho que eu me expresso melhor com um lápis e uma folha, do que olhando pra ti e me derretendo com seus olhos castanhos. Como você conseguiu me transformar em tão pouco tempo?

Eu me lembro da primeira vez que eu te vi, com aqueles fones enormes olhando para o mural da faculdade. Como você estava lindo aquele dia com seus jeans rasgados e aquele velho all star branco e encardido que combina tanto com o meu. E parece que depois de 10 anos, você ainda continua lindo, com a barba rala e o penteado mudado.

Pensando nisso, eu nem lembro porque estou escrevendo isso. Bom, acabei e lembrar. Você foi até a padaria comprar pão doce, leite e o nosso cigarro preferido. E eu sei que você vai esquecer o pãozinho doce e usar o dinheiro pra comprar um botão de rosa. E apesar de eu ficar brava, você vai sorrir e fazer aquele leite com nescau que só você sabe preparar.

Com amor, da sua menina

PS: quando você estiver lendo essa carta, eu vou estar escrevendo a segunda e você vai sorrir que nem um bobo e beijar minha nuca, aproximando nossos corpos na nossa cama.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Love you tonight?

E estávamos lá, na mesa de jantar do meu apartamento com meia garrafa de gim, com cigarros e uma franqueza tremenda. A noite passada havia sido desastrosa, nós dois sabíamos disso. Mas minha indiferença a você me olhando fixamente era pior pra você e a minha melhor arma.
Acendi um cigarro e fiquei em silencio. Na verdade ninguém dizia nada a muito tempo, só Ryan Adams dizia algo no IPOD conectado a caixa de som. Eu não ligava pra música, ou pro gim ou pro meu cigarro semi terminado, ou até mesmo pra tv muda que passava um filme b, só me importava com aquele rosto na minha frente, marcado pelo cansaço e a noite não dormida.
Ninguém teve coragem de dormir, afinal um só conseguia pelo calor do corpo do outro, com direito a pijama de flanela e a minha meia listrada. Ele acendeu seu terceiro cigarro, e pronunciou a terceira frase daquele dia :
-Me perdoa
-Não tem o que perdoar, você beijou-a , e não tem problema
Minha voz gélida o fez chorar novamente, e minha vontade era esquecer tudo e o abraçar. Muitas vezes eu fazia isso, por ele, mas não essa noite.
-Eu vou dormir. - e apagando meu cigarro abri a porta de casa
-Você tem certeza disso?
-Tenho, amanhã nos falamos.
Ele só limpou as lágrimas e saiu. Saindo assim da minha mente, porque do meu coração ele nunca sairia.